Daily Archives: August 8, 2015

Ukraine | The Local Elections in the Donbas are Questioned Now

If fighting does not cease in the Donbas, the local elections will not be held everywhere in the region, including in the areas controlled by government forces.
This statement president of Ukraine Petro Poroshenko made during a visit to Donetsk region.
“If there is an escalation of the fighting like in the past two days, the elections will not be physically carried out. As a president and as a commander in chief I am today both for the free will, and for the safety of citizens”, – Poroshenko said.
Earlier, governor of the Donetsk region Zhebrivskyi appointed by Poroshenko said that the elections can not be carried out in the Donbas, as the local population adheres to wrong political views.

France | En Crimée, les gens sont “heureux” d’être Russes

De retour de leur visite controversée en Crimée, plusieurs parlementaires français affirment avoir rencontré des habitants « heureux d’être revenus en Russie ».
D’après le groupe de parlementaires français qui revient d’une visite controversée en Crimée , les habitants là-bas sont « heureux d’être revenus en Russie » et « soulagés de ne pas connaître la guerre (…) que certains connaissent dans les régions de Lougansk et Donetsk », a notamment déclaré le député de droite Thierry Mariani, lors d’une conférence de presse à Moscou.
«  Chacun sait que la situation qui fait que la Crimée est redevenue russe est durable », a-t-il également observé, dénonçant une « situation qui s’apparente à un blocus ». La Crimée a été annexée par Moscou en mars 2014 après un référendum contesté et qualifié d’illégal par Kiev et les Occidentaux. L’Union européenne a pris des sanctions qui interdisent notamment les activités touristiques en Crimée.
« Manque de respect » pour l’Ukraine
Très médiatisée en Russie, la visite de deux jours de cette délégation d’une dizaine de parlementaires pour la plupart membres des Républicains a été dénoncée par le ministre français des Affaires étrangères comme une violation du droit international et par Kiev comme un « manque de respect » pour l’Ukraine.
« J’ai eu le sentiment que les habitants de la Crimée étaient soulagés de ne pas connaître la guerre », a relevé de son côté le député Claude Goasguen. « Est-ce que ce soulagement doit être critiqué ? Je ne crois pas ». « Quand on voit un peuple heureux de ne pas connaître la situation (de la région ukrainienne en guerre du) Donbass et qui vous dit que c’est le référendum qui permet d’être en paix, la moitié du terrain est fait », a-t-il ajouté.
Le sénateur Yves Pozzo di Borgo a de son côté déclaré souhaiter « que l’ensemble des parlements européens puissent envoyer des missions en Crimée pour voir en fait que la situation n’est pas celle que les médias européens reproduisent ». Il n’a par ailleurs pas manqué de documenter très largement sa visite sur Twitter en postant bon nombre de photos.

Portugal | Adeus Lenine, olá Wall Street

João Ruela Ribeiro
27/07/2015 – 07:21
Para as grandes multinacionais europeias e norte-americanas, a Ucrânia, o novo aliado a Leste, pode ser uma oportunidade de negócio.
“Esta é a altura certa para investir na economia da Ucrânia.” A frase é do director do Departamento de Relações Internacionais do Banco Central ucraniano, Sergei Kruhlik, citada num comunicado da instituição de Abril intitulado “Investidores estrangeiros apoiam activamente a Ucrânia na implementação de reformas estruturais”. Por esta altura, assinalava-se o primeiro aniversário do conflito no Leste do país, que para além dos elevados custos humanos deixou a economia de rastos.
Em dois anos, o PIB caiu 23% – uma queda semelhante à da economia grega mas num período muito mais curto -, a dívida pública disparou para 158%, o hrivinia desvalorizou 70% face ao dólar e a inflação está nos 46%, com tendência de subida. A reestruturação da dívida aos credores internacionais já não é sequer alvo de debate e o default foi evitado no último minuto na sexta-feira, depois do pagamento de 120 milhões de dólares.
Porém, o “apetite” por parte dos investidores estrangeiros na economia ucraniana é evidente. Ainda na última semana a Arcelor Mittal, o gigante mundial da exploração mineira e siderurgia, prometeu investimentos de cerca de 1,2 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros). Os norte-americanos da Cargill, da área da agricultura e alimentação, prometeram injectar 100 milhões de dólares (91 milhões de euros) na construção de um novo terminal portuário em Iuzhnii, no Mar Negro. Este mês, o Canadá e a Ucrânia assinaram um acordo do comércio livre, que prevê a redução de taxas aduaneiras para a quase totalidade das trocas entre os dois países.
A corrida aos investimentos norte-americanos e europeus na Ucrânia teve o marco maior na assinatura do Acordo de Associação entre Kiev e a União Europeia (UE) – o mesmo que foi recusado por Viktor Ianukovich e que desencadeou os protestos na Praça da Independência no final de 2013 e que conduziram à sua queda, em Fevereiro do ano seguinte. O novo Governo, composto essencialmente por políticos pró-europeus, fez da parceria uma das grandes prioridades, tornando-o um símbolo da aproximação da Ucrânia ao Ocidente.
Mas a entrada em vigor das cláusulas referentes ao comércio livre com a UE – que implicam a aprovação de inúmeras reformas destinadas a remover barreiras aduaneiras e regulamentos em vigor – só entrarão em vigor no início de 2016.
Desde a queda de Ianukovich que as mudanças no país se operam a uma velocidade vertiginosa, mas seguindo sempre a mesma lógica – afastamento da esfera de influência de Moscovo e aproximação ao Ocidente. Se no panorama geopolítico a tendência tem sido evidente, também está a ser mimetizada no plano económico.
300 privatizações na calha
Muito do trabalho dos novos governantes ucranianos tem sido o de atrair investimento empresarial, sobretudo europeu e norte-americano. O primeiro-ministro, Arseni Iatseniuk, tem liderado várias comitivas com esse fim, a última das quais culminou no encontro inaugural do Fórum Empresarial EUA-Ucrânia em Washington, há quase duas semanas, e no qual também esteve o vice-Presidente norte-americano Joe Biden. Em Maio foi aprovado pelo Governo um processo de privatizações que vai incluir quase 300 empresas públicas da área agrícola, mineira e até um hotel em Kiev, e à qual está vedado a entrada de empresários russos.
“A ideia é substituir a Rússia como sócio comercial”, diz ao PÚBLICO Alberto Priego, professor de Relações Internacionais na Universidade Pontifícia de Comillas em Madrid. A tarefa não se adivinha fácil. A Rússia é o principal mercado tanto para as exportações (24,2%) como para as importações (29,6%) ucranianas. As duas economias “são altamente complementares, tendo feito parte de uma única entidade durante vários séculos e partilham padrões da industrialização soviética”, nota o historiador Richard Sakwa no livro Frontline Ukraine: Crisis in the Borderlands.
No final de Março, as autoridades ucranianas receberam um aliado de peso para a captação de investimento. George Soros disse, em entrevista a um jornal austríaco, estar disponível para investir mil milhões de dólares na Ucrânia. A indicação do influente magnata de origem húngara funciona quase como um barómetro obrigatório para qualquer investidor, mas a “dica” de Soros foi acompanhada de uma nuance – o apoio da UE é imprescindível. “É necessário um seguro de risco político”, afirmou na altura.
Para isso, a UE e o FMI têm pressionado o Governo a acelerar um conjunto de reformas para tornar o país mais acessível ao investimento externo, que passam pela flexibilização do mercado laboral, redução de burocracia e diminuição da presença estatal na economia.
Os governantes ucranianos têm compreendido a mensagem e muito dos seus esforços tem ido no sentido de reformar o país para ir ao encontro das expectativas ocidentais. O relatório do Departamento de Estado norte-americano sobre o clima de investimento no país, publicado em Maio, saudava os “progressos tangíveis” realizados por Kiev para “afastar o Governo ucraniano e a economia das estruturas altamente centralizadas e corruptas deixadas pela era Ianukovich e herança do sistema soviético”. Porém, “é necessário fazer mais esforços”, concluía o gabinete de Assuntos Económicos.
Soros sabia bem do que estava a falar. “A Ucrânia é um cruzamento de caminhos entre a Rússia e a Europa e grande parte dos abastecimentos energéticos passam por ali”, observa Alberto Priego. A imprensa americana tem especulado sobre a oportunidade criada pela crise ucraniana para o boom energético dos EUA. A estratégia de pôr fim à dependência energética europeia da Rússia pode ser a peça que faltava para que Washington levante a proibição, em vigor há quatro décadas, das exportações de recursos energéticos, sugeria recentemente a revista Forbes.
A chave aqui é a exploração do gás natural liquefeito, cuja produção aumentou mais de 35% nos últimos oito anos nos EUA. Ao mesmo tempo, a multinacional norte-americana Frontera anunciou este mês que vai financiar a construção de um novo terminal para gás natural na Ucrânia.
Mas o interesse na Ucrânia não se esgota na energia. É conhecido o epíteto de “celeiro da União Soviética” atribuído ao país – é lá que está concentrado quase um terço da área agrícola fértil do planeta. O país é o terceiro maior exportador de milho e o quinto de trigo. “A estabilidade alimentar da Europa depende da estabilidade da Ucrânia”, considera Priego.
Um estudo do ano passado do Oakland Institute – um think-tank independente dos EUA focado em questões ecológicas e agrícolas – alertava para o “aumento de controlo estrangeiro da economia, assim como um aumento da pobreza e desigualdade” na Ucrânia. No que toca ao sector, a conclusão era de que a intensificação do investimento estrangeiro “irá resultar provavelmente na expansão das aquisições em larga escala de terrenos agrícolas por empresas estrangeiras”.
Alberto Priego considera o interesse das multinacionais alimentares na Ucrânia como algo positivo, apesar de reconhecer que “é necessário ver que repercussão terá no bolso dos cidadãos”. Ainda assim, reforça o optimismo: “Esse futuro prometedor para as empresas deverá ter uma correlação com o futuro dos cidadãos da Ucrânia.”
http://www.publico.pt/mundo/noticia/ucrania-ocidente-e-empresas-1703085?page=-1